
Existiu realmente um homem chamado Pêro da Covilhã. Este homem de carne e osso viveu, morreu e deixou memória de si. Como é que ele era realmente? Ninguém sabe.
Então com que direito se pega na alma duma pessoa e se transforma esse alguém em personagem? É ético, isso? É legítimo? Acham que isso é bonito?
Antes que me digam que não, eu respondo já: Pêro da Covilhã não era ele, sou eu. Eu é que viajei melhor do que ninguém a viagem dele, eu é que pensei o que ele deveria ter pensado sobre a vida que ele é que levou.
Confesso. Publicamente confesso: estou a utilizar Pêro da Covilhã para falar de mim. Porque ele acreditou só num Mito, mas eu acreditei em toda uma Utopia. (E continuo a acreditar sem saber o nome que lhe hei-de dar).
É verdade que nunca pus os pés na Etiópia, mas conheço muito bem aquele país: fui eu que o imaginei sem guerras, sem senhores da guerra, com uma religião mestiça como devia ser a religião, se eu fosse religioso. Um país cheio de gente rica e essas coisas todas em que todos estamos de acordo que devíamos estar de acordo.
Para chegar à Etiópia é que é complicado. Porque, hoje, a Geografia continua tão confusa como era na Idade Média: o Reino de Preste João tanto estava para lá do Muro de Berlim, como irradiava Orientes algures perto de Pequim. O mito tanto tremia nas neves altas do Nepal, como elanguescia nos requebros musicais do calor cubano.

Ficha Técnica
Texto e Encenação: José Carretas
Cenografia: Nuno Sanches; José Carretas
Figurinos: Ana Luena
Música Original: Quico Serrano
Desenho de Luz: Francisco Beja
Elenco: Ana Margarida Carvalho; Ângela Marques; Eva Femandes; Flávio Hamilton; João MeIo; Miguel Cabral; Pedro Carvalho; Valdemar Santos
e Ana Teresa Ribeiro; Cristina Ribeiro; Guilherme Ribeiro; José Maria Ribeiro; Miguel Peixoto; Nuno Cordeiro; Nuno Porto; Pedro Nogueira; Sérgio Pereira
Colaboração: Amélia Lopes; André Brito Correia; António Soares; Inês Leite; Teatro Sentidos; Associação de Moradores da Bouça; Vintena Vadia
Coordenação e Gestão de Projecto: Margarida Wellenkamp
Panmixia
Produção Executiva: Evelina Marques
Direcção de Cena: Vera Miranda
Assistência de Cenografia: Elisabete Pinto; João Real
Execução de Cenografia: Construções Alfensa, Lda
TNSJ
Produção Executiva: Eunice Basto
Coordenação Técnica: Emanuel Pina
Direcção de Cena: Liliana Abelho; Ricardo Silva
Maquinaria de Cena: António Quaresma; Carlos Barbosa; Joel Santos
Operação de Luz: António Pedra; José Rodrigues
Operação de Som: Miguel Angelo Silva
Electricistas de Cena: Júlio Cunha; José Carlos Cunha
Pintura de Cenário: Guilherme Monteiro; Dora Pereira; Nuno Ferreira
Co-Produção: Panmixia; TNSJ
Projecto fmanciado pelo Ministério da Cultura/Instituto das Artes
Estreia a 18 de Janeiro de 2007 no Teatro Carlos Alberto



