Jogas?

Sou a menina bonita que roubou teu coração,
tenho uma casa esquisita toda feita em papelão.
Um dia, fui às Berlengas, comprei 7 lenga-lengas.
Fui parar às Fontainhas, comprei 7 ladainhas.
Enchi um saco de histórias,
de boas e más memórias,
de lendas e adivinhas.
O rei estava sempre a reinar,
a cabeça caiu no ar
e o reizinho caiu de cu.
Eu jogo... e tu?
Jogas?


Os jogos infantis, ou seja, os jogos das crianças até cerca dos doze anos de idade, não se afirmam como simples divertimentos ou entre­teni­men­tos gratuitos, mas antes como exercícios preparatórios da sua participação integrada na sociedade.


As rimas incentivam uma ginástica vocálica que permite desenvolver a expressão verbal onde parece ser mais importante o ritmo e a musicalidade do que o sentido. Aliás, uma grande parte delas prima pelo nonsense.

Este projecto partiu de um trabalho de investigação e recolha de lengalengas e/ou figuras de expressão portuguesa e de oficinas desenvolvidas. Com o material de investigação etno-musicológica construiu-se um espectáculo teatral.

Através da lengalenga, enquanto expressão verbal, “Jogas?” apostou na expressão musical e corporal que dela fazem parte para a realização de um jogo teatral de coordenação e independência.

A subir o rio, vai uma barquinha.
Vai carregadinha
De Sardinha.

A subir o rio, vai uma barcaça
Vai carregadinha
De Cachaça.

A subir o rio vai aquele batel
Vai carregadinho
De Papel.

A subir o rio, vai a embarcação
Vai carregadinha
De Carvão.

A subir o rio, vai aquele navio
Vai carregadinho
De Fastio.

Tal como as ladainhas que serviram de inspiração, em “Jogas?” reina o absurdo, o sem sentido, numa dramaturgia que foi surgindo por associação de palavras e ideias, inconsequente, inesperada. Cinco personagens sem história, ou melhor, cinco histórias sem fim cruzam-se e confundem-se, numa encruzilhada difícil de nomear, um ponto de encontro algures à beira do mar e atrás dos montes. O objectivo é um só: dar prazer a quem vir o espectáculo.

 
 
 
 
           
 
  

Ficha Técnica

Dramaturgia e Encenação: José Carretas
Interpretação: Blandino; Patrícia Brandão; Marta Leitão; Rosário Costa; João Melo
Música Original e Direcção Musical: Blandino
Desenho de Luz: Francisco Beja
Figurinos: Rita Fernandes; Rita Lamares; Elizabete Pinto
Coordenação e Gestão: Margarida Wellenkamp

Parceria:
Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo/Instituto Politécnico do Porto